- Published
- 2021-06-01
- Venue
- Cadernos EBAPE BR, vol. 19, no. 2, pp. 391-394
- Cited by
- 168
- Open access
- Yes, diamond
- DOI
- 10.1590/1679-395120200238
Abstract
Lançado em Paris em 2017 pela editora La Découverte, após a eleição de Donald Trump em 2016, e publicado no Brasil em sua versão em português em 2020, Onde aterrar?-Como se orientar politicamente no Antropoceno é o livro mais recente de Bruno Latour.Autor de trabalhos inovadores para o pensamento nas ciências humanas e sociais, como Jamais Fomos Modernos (Latour, 2013); Políticas da natureza: como fazer ciência na democracia (Latour, 2019); e Reagregando o Social (Latour, 2012), Latour (2020) oferece, em Onde aterrar?Como se orientar politicamente no Antropoceno, uma hipótese (ou ficção política, como ele mesmo denomina) para compreendermos o momento atual de crise geopolítica enfrentada em âmbito mundial.Onde aterrar?Como se orientar politicamente no Antropoceno, apesar de pouco extenso, com cerca de 150 páginas, é um livro denso, que oferece uma reflexão político-filosófica já amadurecida pelo autor.A hipótese defendida pelo pensador francês em seu livro é a de que não compreenderemos nada sobre os posicionamentos políticos dos últimos cinquenta anos, se não reservarmos um lugar central na discussão contemporânea para o fenômeno da mudança climática do planeta -e sua negação.Segundo Latour, a desregulamentação dos Estados após a queda do muro de Berlim, a explosão das desigualdades sociais em todos os países capitalistas e a negação da existência de uma mutação climática são sintomas de uma mesma situação histórica: vivemos um momento em que as elites concluíram não existir mais espaço para elas e o restante dos habitantes do planeta.Para o autor, quando as elites obscurantistas entenderam que, a partir da década de 1980, haveria um colapso global pela escassez de recursos, optaram por: (i) não pagar o preço que custaram à Terra, (ii) não compartilhar essa informação, (iii) construir comunidades muradas e (iv) escapar do fim se recolhendo em bunquer.A ideia de globalização foi, assim, abandonada e/ou negada -primeiro pelas elites e depois pelos seus seguidores.